Trilha 1 · Lição 2

Constelações e como se orientar

Quase todos os povos do mundo enxergaram figuras nas estrelas. Nesta lição você vai ver o que os astrônomos chamam de constelação hoje, por que os desenhos duram milhares de anos e como encontrar o sul usando o Cruzeiro.

Nível inicianteLeitura de 11 minutosRevisado em 11/10/2026

Figuras no céu

Desde a Antiguidade, as pessoas agrupam estrelas e associam a esses grupos figuras importantes da sua cultura: heróis, animais, objetos. Praticamente todos os povos, antigos e atuais, criaram suas próprias constelações.

Elas tinham (e ainda têm) uma utilidade prática enorme: com elas dá para reconhecer o céu, se orientar e acompanhar os ciclos do ano. Vários povos indígenas brasileiros, por exemplo, usam o momento em que as Plêiades voltam a aparecer no céu, pouco antes do nascer do Sol, para marcar o início de um novo ano.

Os desenhos funcionam porque as estrelas mantêm sempre as mesmas posições umas em relação às outras. Ao longo da noite, uma constelação muda de lugar em relação ao horizonte (como você viu na lição anterior), mas o desenho continua o mesmo.

O que é uma constelação hoje

Os astrônomos continuam usando as constelações, mas sem o lado mitológico: para eles, uma constelação é uma região do céu com limites bem definidos. Em 1930, a União Astronômica Internacional dividiu todo o céu em 88 constelações oficiais, como um mapa dividido em estados. Qualquer estrela, planeta ou galáxia que você aponte está dentro de alguma delas.

Alguns desenhos famosos não são constelações oficiais, e sim asterismos: grupos fáceis de reconhecer dentro de uma constelação. As Três Marias são a cintura do caçador Órion; as Plêiades ficam na constelação do Touro.

As estrelas são mesmo fixas?

Não. Em relação ao Sol, as estrelas próximas se movem a dezenas de quilômetros por segundo. Mesmo assim, parecem paradas porque estão longe demais. A mais próxima, Alfa do Centauro, fica a cerca de 4,3 anos-luz, uns 40 trilhões de quilômetros. Um deslocamento de bilhões de quilômetros por ano, visto daqui, vira um movimento minúsculo no céu, impossível de perceber a olho nu.

Com telescópios, esse "movimento próprio" é medido. E, se vivêssemos milhares de anos, veríamos as constelações mudando de forma: daqui a uns 4 mil anos, Alfa do Centauro deve aparecer perto de Beta do Centauro, bem ao lado do Cruzeiro do Sul.

Como se orientar no Hemisfério Sul

No Hemisfério Norte, a orientação é fácil: a Estrela Polar fica quase em cima do polo norte celeste e marca o norte. No Sul não temos uma estrela brilhante no polo celeste, mas temos um ótimo guia.

O Cruzeiro do Sul

O braço maior do Cruzeiro do Sul aponta para o polo sul celeste. Siga essa direção no céu até a região do polo e desça em linha reta até o horizonte: ali fica o ponto cardeal sul. De frente para o sul, o leste está à sua esquerda e o oeste, à direita.

Como fica relativamente perto do polo sul celeste, o Cruzeiro passa a maior parte do tempo acima do horizonte. Em Vitória (ES), por exemplo, suas estrelas não chegam a ficar visíveis a noite toda, mas passam a maior parte do dia e da noite acima do horizonte.

Órion e as Três Marias

Órion é considerada uma das constelações mais bonitas do céu e, para nós, é típica das noites de verão. Procure as Três Marias, três estrelas alinhadas que formam a cintura do caçador, e o quadrilátero de estrelas em volta delas. As duas mais brilhantes do quadrilátero são Betelgeuse, no ombro, uma supergigante vermelha, e Rigel, no pé, uma supergigante azul. Essa diferença de cor revela a temperatura de cada uma, como você vai ver na trilha sobre estrelas.

Faça você mesmo
  1. Num simulador como o Stellarium Web, coloque sua cidade e veja onde o Cruzeiro do Sul estará hoje às 21 h.
  2. Vá para fora, encontre o Cruzeiro e prolongue o braço maior para achar o sul.
  3. Confira com a bússola do celular. Se a sua orientação bater, você acabou de se guiar pelas estrelas.

As constelações do zodíaco

O Sol, a Lua e os planetas não passeiam pelo céu inteiro: andam sempre perto de uma mesma faixa, em volta da eclíptica, chamada zodíaco. Nela ficam as doze constelações zodiacais, como Touro, Gêmeos, Câncer e Leão, que deram nome aos signos da astrologia. Para a astronomia, elas são só regiões do céu como as outras 76.

Por que o Sol e os planetas ficam nessa faixa? Isso é assunto das lições O caminho do Sol e as estações do ano e Os planetas no céu.

Resumo

  • Constelações são figuras imaginárias que quase todas as culturas criaram para reconhecer o céu e marcar o tempo.
  • Para a astronomia atual, são 88 regiões do céu com limites oficiais, definidas em 1930.
  • As estrelas se movem, mas estão tão longe que os desenhos levam milhares de anos para mudar.
  • No Hemisfério Sul, o braço maior do Cruzeiro do Sul aponta para o polo sul celeste e ajuda a encontrar o sul.

Teste o que você aprendeu

1. Quantas constelações oficiais existem?

2. As Três Marias são:

3. Para que serve o braço maior do Cruzeiro do Sul?

Fontes desta lição