Trilha 2 · Lição 2

Os planetas no céu: astros errantes

Para os gregos, "planeta" queria dizer "errante": um astro que não fica parado entre as estrelas. Nesta lição você vai ver por que os planetas às vezes parecem andar para trás e como esse enigma mudou a nossa visão do Universo.

Nível inicianteLeitura de 11 minutosRevisado em 11/10/2026

Os astros errantes

As estrelas mantêm sempre as mesmas posições umas em relação às outras. Mas alguns astros se deslocam entre elas ao longo dos dias: o Sol, a Lua e os cinco planetas que dá para ver a olho nu, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. Os gregos chamavam todos eles de "planetas", palavra que significa errante, que vaga.

Como o Sol e a Lua, os planetas participam do movimento diário do céu: nascem a leste e se põem a oeste. Ao longo das semanas, porém, também mudam de posição entre as estrelas, e de um jeito bem mais complicado.

Sempre perto da mesma faixa

Os planetas nunca aparecem em qualquer lugar do céu: andam sempre perto da eclíptica, a linha do caminho do Sol, dentro da faixa do zodíaco. A Lua também.

Isso revela algo importante sobre o Sistema Solar: as órbitas de todos os planetas estão quase no mesmo plano, perto do plano da órbita da Terra. É uma forte evidência de que eles se formaram a partir de um mesmo disco de gás e poeira que girava em volta do Sol jovem, como você viu na lição O Sistema Solar.

Quando o planeta anda para trás

Na maior parte do tempo, cada planeta se desloca entre as estrelas de oeste para leste, como o Sol e a Lua. Mas, em certas épocas, ele vai diminuindo a velocidade, para, anda para oeste por algumas semanas e depois retoma o caminho normal. No céu, o trajeto forma um laço ou um zigue-zague. É o movimento retrógrado.

Um exemplo: entre 20 de junho e 25 de agosto de 2012, Mercúrio andou para leste entre as constelações de Gêmeos e Câncer, parou por volta de 14 de julho, andou para oeste até cerca de 7 de agosto e então voltou a seguir para leste, desenhando um laço no céu. Todos os planetas fazem isso, com laços e zigue-zagues de formas e durações diferentes a cada vez.

Atenção: esse vaivém acontece ao longo de semanas, em relação às estrelas. Numa única noite, todos os planetas simplesmente nascem a leste e se põem a oeste.

A explicação antiga: círculos sobre círculos

Explicar esse movimento estranho desafiou os astrônomos por séculos. Na Antiguidade, Hiparco (século II a.C.) e depois Cláudio Ptolomeu, de Alexandria (século II d.C.), criaram um modelo com a Terra no centro. Nele, cada planeta girava num círculo pequeno, o epiciclo, cujo centro girava num círculo maior em volta da Terra, o deferente. Combinando os dois giros, o planeta às vezes parecia andar para trás.

Para acertar os detalhes, Ptolomeu ainda deslocou a Terra um pouco do centro e acrescentou outros pontos de referência. O modelo era engenhoso e previa as posições dos planetas com erro de no máximo uns 5°, uma precisão muito boa para a época. Foi usado por europeus e árabes durante toda a Idade Média.

A explicação moderna: ultrapassagens

Em 1543, Nicolau Copérnico publicou um modelo com o Sol no centro (a ideia já tinha sido proposta por Aristarco de Samos na Grécia antiga, mas fez pouco sucesso). Nele, o movimento retrógrado tem uma explicação muito mais simples: é uma questão de ultrapassagem.

Todos os planetas, inclusive a Terra, giram em volta do Sol, e quanto mais longe do Sol, mais devagar. Quando a Terra, mais rápida, ultrapassa Marte, que está mais longe, Marte parece andar para trás em relação às estrelas do fundo, como um carro mais lento parece ir para trás quando você o ultrapassa na estrada. Com Mercúrio e Vênus, que são mais rápidos que a Terra, acontece o mesmo quando eles nos ultrapassam.

Depois de Copérnico vieram Tycho Brahe, Kepler, Galileu e Newton, e o modelo heliocêntrico foi sendo aperfeiçoado até as leis que usamos hoje. Essa história continua na lição Órbitas: por que os planetas não caem no Sol.

Experimente no Mapa Solar. Acelere o tempo para 1 semana por segundo e veja a Terra ultrapassar Marte, que está mais longe e anda mais devagar. É nessa ultrapassagem que Marte parece andar para trás no nosso céu.

Resumo

  • Cinco planetas são visíveis a olho nu: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno.
  • Eles andam sempre perto da eclíptica, porque as órbitas dos planetas estão quase no mesmo plano.
  • Às vezes parecem andar para trás entre as estrelas: é o movimento retrógrado.
  • O modelo antigo explicava isso com epiciclos; o modelo de Copérnico, com ultrapassagens entre planetas em volta do Sol.

Teste o que você aprendeu

1. O que significa a palavra grega que deu origem a "planeta"?

2. No modelo com o Sol no centro, por que Marte às vezes parece andar para trás?

Fontes desta lição