Trilha 2 · Lição 1

O Sistema Solar: um passeio pela nossa vizinhança

O Sol, oito planetas, alguns planetas anões e milhões de corpos pequenos giram juntos há bilhões de anos. Nesta lição você vai conhecer cada parte dessa família e ter uma ideia do tamanho de tudo isso.

Nível inicianteLeitura de 15 minutosRevisado em 11/10/2026

O que é o Sistema Solar

O Sistema Solar é o Sol e tudo o que gira em volta dele, preso pela sua gravidade. Isso inclui os oito planetas, cinco planetas anões reconhecidos oficialmente, centenas de luas e uma multidão de corpos pequenos: mais de 1,5 milhão de asteroides e cerca de 4 mil cometas já catalogados.

O nome vem do latim sol: é o sistema "do Sol". Ele fica na Via Láctea, numa região chamada Braço de Órion, e inteiro gira em torno do centro da galáxia a cerca de 828 mil km/h. Mesmo nessa velocidade, uma volta completa leva uns 230 milhões de anos.

Quase tudo no Sistema Solar gira no mesmo sentido e perto de um mesmo plano, a eclíptica. Por isso, visto de longe, ele lembra um disco achatado, e não uma bola.

O Sol, a estrela no centro

O Sol é uma estrela comum, do tipo anã amarela: uma bola gigante de hidrogênio e hélio muito quente, com cerca de 4,5 bilhões de anos. Ele é, de longe, o maior objeto do Sistema Solar.

99,8%de toda a massa do Sistema Solar está no Sol
1,4 milhão kmde diâmetro, cerca de 109 vezes o da Terra
330 milTerras seriam necessárias para igualar a massa do Sol
15 milhões °Cno núcleo, onde acontece a fusão nuclear; a superfície tem cerca de 5.500 °C

No núcleo, o calor e a pressão são tão grandes que núcleos de hidrogênio se fundem e viram hélio, liberando a energia que chega até nós como luz e calor. É essa gravidade enorme que mantém tudo em órbita, dos planetas gigantes até grãos de poeira.

Como tudo se formou

Há cerca de 4,6 bilhões de anos, existia ali uma nuvem densa de gás e poeira. Ela começou a encolher, talvez empurrada pela onda de choque da explosão de uma estrela próxima (uma supernova). Ao encolher, a nuvem girou mais rápido e se achatou num disco.

  1. O centro virou o Sol. A gravidade puxou a maior parte do material para o meio. Quando a pressão ficou grande o bastante, a fusão nuclear começou e o Sol "acendeu".
  2. O resto do disco virou o resto da família. Pedaços de material foram colidindo e grudando, formando corpos cada vez maiores. Os maiores ficaram redondos pela própria gravidade e viraram planetas, planetas anões e luas grandes.
  3. A distância do Sol decidiu o tipo de planeta. Perto do Sol, só rocha e metal aguentavam o calor: ali nasceram os planetas rochosos. Mais longe, gelo e gás também sobreviviam e se juntaram nos planetas gigantes.
  4. Sobraram restos. Entre Marte e Júpiter, o material nunca chegou a formar um planeta e ficou como o cinturão de asteroides. Outras sobras viraram cometas e pequenas luas irregulares.

Essa história explica por que os planetas estão organizados do jeito que estão, como você vai ver na próxima seção.

Os oito planetas

Desde 2006, a União Astronômica Internacional (IAU) define um planeta como um corpo que (1) gira em volta do Sol, (2) tem massa suficiente para ficar praticamente redondo e (3) "limpou" a vizinhança da sua órbita, ou seja, é o objeto dominante naquela região. Oito corpos cumprem os três critérios, e eles se dividem em dois grupos bem diferentes.

Rochosos: Mercúrio, Vênus, Terra e Marte

São os quatro mais próximos do Sol: pequenos, com superfície sólida de rocha. Vênus é o mais quente de todos, com média de 464 °C, mais que Mercúrio, que está mais perto do Sol. O motivo é a atmosfera espessa de Vênus, que prende o calor num efeito estufa descontrolado.

Gigantes: Júpiter, Saturno, Urano e Netuno

Júpiter e Saturno são gigantes gasosos; Urano e Netuno, gigantes de gelo. Nenhum deles tem uma superfície sólida como a da Terra: em vez disso, têm camadas de gases girando acima de um núcleo. Os quatro têm anéis e muitas luas. Júpiter sozinho tem mais que o dobro da massa de todos os outros planetas juntos.

PlanetaDistância do SolLuz do Sol levaAno (período)DiâmetroTemperatura médiaLuas
Mercúrio0,39 UA3,2 min88 dias4.879 km167 °C0
Vênus0,72 UA6,0 min225 dias12.104 km464 °C0
Terra1,00 UA8,3 min365 dias12.756 km15 °C1
Marte1,52 UA12,7 min687 dias6.792 km−65 °C2
Júpiter5,20 UA43 min11,9 anos142.984 km−110 °C95
Saturno9,57 UA1 h 20 min29,4 anos120.536 km−140 °C274
Urano19,2 UA2 h 39 min83,7 anos51.118 km−195 °C28
Netuno30,2 UA4 h 11 min163,7 anos49.528 km−200 °C16

Distâncias médias, diâmetros no equador, temperaturas e número de luas segundo a Planetary Fact Sheet da NASA (consultada em 11/10/2026). O número de luas muda conforme novas descobertas são confirmadas. Distâncias em unidades astronômicas; o tempo de luz foi calculado a partir delas.

Repare em duas coisas na tabela. Primeiro, o ano fica muito mais longo para os planetas distantes: um ano de Netuno dura quase 164 dos nossos. Segundo, Mercúrio e Vênus são os únicos planetas sem nenhuma lua.

Experimente no Mapa Solar. Veja onde cada planeta está hoje e acelere o tempo para comparar a velocidade de Mercúrio com a de Netuno.

Planetas anões

Um planeta anão cumpre os dois primeiros critérios da IAU (gira em volta do Sol e é praticamente redondo), mas não limpou a vizinhança da sua órbita: ele divide a região com muitos outros objetos parecidos. Também não pode ser lua de outro corpo.

Foi por esse terceiro critério que Plutão, descoberto em 1930 e considerado o nono planeta por 76 anos, passou a ser chamado de planeta anão em 2006. Plutão continua o mesmo; o que mudou foi a definição, que ficou mais precisa depois da descoberta de vários objetos de tamanho parecido na mesma região.

Hoje são cinco planetas anões reconhecidos, em ordem de distância do Sol:

  • Ceres: o maior objeto do cinturão de asteroides e o único planeta anão na parte interna do Sistema Solar.
  • Plutão: o mais famoso, com cinco luas. A maior, Caronte, é tão grande que faz Plutão "balançar".
  • Haumea: um dos objetos grandes que giram mais rápido em torno do próprio eixo.
  • Makemake: o segundo objeto mais brilhante do Cinturão de Kuiper.
  • Éris: um dos maiores planetas anões conhecidos.

Segundo a IAU, pode haver muitos outros, talvez mais de cem, ainda à espera de serem descobertos ou confirmados.

Asteroides, cometas e o Cinturão de Kuiper

Asteroides

São sobras rochosas e sem atmosfera da formação do Sistema Solar. A maioria gira entre Marte e Júpiter, no cinturão de asteroides. O maior é Vesta, com cerca de 530 km de diâmetro; os menores têm poucos metros. Apesar de serem muitos, todos juntos têm menos massa que a nossa Lua.

Cometas

São "bolas de neve cósmicas" de gás congelado, rocha e poeira, do tamanho de uma pequena cidade. Quando a órbita leva um cometa para perto do Sol, o gelo esquenta e solta gás e poeira, formando uma cabeleira brilhante, às vezes maior que um planeta, e uma cauda que aponta sempre para longe do Sol.

Cinturão de Kuiper

Além de Netuno existe o Cinturão de Kuiper, uma região em forma de rosca cheia de corpos gelados. Ali ficam Plutão, a maioria dos planetas anões conhecidos e alguns cometas. A sonda New Horizons visitou dois desses mundos: Plutão, em 2015, e Arrokoth, em 2019.

Experimente no Mapa Solar. Ligue as camadas de asteroides e cometas, encontre o cinturão entre Marte e Júpiter e veja a órbita alongada do cometa Halley.

Até onde vai o Sistema Solar

Os planetas terminam em Netuno, mas o Sistema Solar vai muito além. Há duas "fronteiras" diferentes:

  • A heliosfera é a bolha criada pelo vento solar, um fluxo de gás eletricamente carregado que sai do Sol em todas as direções. Entre 80 e 100 UA, esse vento é freado pela pressão do gás que existe entre as estrelas. As duas sondas Voyager, lançadas em 1977, já cruzaram o limite da heliosfera, a heliopausa: a Voyager 1 entrou no espaço interestelar em 2012 e a Voyager 2, em 2018.
  • A Nuvem de Oort é uma enorme casca esférica de pedaços gelados que envolve todo o Sistema Solar, de cerca de 5 mil a 100 mil UA do Sol, chegando a 1,6 ano-luz. Ela nunca foi observada diretamente: sua existência é deduzida por modelos matemáticos e pelos cometas que parecem vir de lá. É o limite real da influência gravitacional do Sol.

Mesmo tendo saído da heliosfera, as Voyagers ainda estão dentro do Sistema Solar: vão levar muitos milhares de anos para atravessar a Nuvem de Oort.

Experimente no Mapa Solar. Veja a Voyager 1 a mais de 170 UA do Sol. Use a escala logarítmica para ver ela e os planetas na mesma tela.

Uma questão de escala

Distâncias no Sistema Solar são tão grandes que quilômetros ficam incômodos. Por isso os astrônomos usam a unidade astronômica (UA), que é a distância média entre a Terra e o Sol. Desde 2012, a IAU fixou seu valor em exatamente 149.597.870.700 metros, cerca de 150 milhões de km.

Outra forma de sentir as distâncias é pelo tempo que a luz leva: ela percorre 1 UA em cerca de 8 minutos e 20 segundos. Ou seja, a luz do Sol que você vê agora saiu de lá há uns 8 minutos. Até Netuno, a viagem leva mais de 4 horas.

Distâncias dos planetas ao Sol em escala proporcional, de 0 a 31 UA. Os quatro planetas rochosos ficam todos no primeiro vigésimo da linha. Sol rochosos Júpiter 5,2 UA Saturno 9,6 UA Urano 19,2 UA Netuno 30,2 UA
As distâncias estão na proporção certa; os tamanhos dos planetas, não (senão seriam invisíveis). Mercúrio, Vênus, a Terra e Marte cabem todos no primeiro trecho da linha: o Sistema Solar é quase todo espaço vazio.

Se o Sol fosse uma bola de 1 metro

Imagine o Sol reduzido a uma bola de 1 metro de diâmetro no meio de uma praça. Mantendo as proporções:

  • a Terra seria uma bolinha de 9 mm, do tamanho de uma ervilha, a 107 metros de distância;
  • Júpiter teria 10 cm, como uma laranja, a 560 metros;
  • Netuno teria 3,6 cm, como uma bola de pingue-pongue, a mais de 3 km.

Conta feita a partir dos diâmetros e das distâncias da tabela acima: cada valor real foi dividido pelo diâmetro do Sol (1,39 milhão de km).

Resumo

  • O Sistema Solar é o Sol e tudo o que sua gravidade mantém em órbita. O Sol tem 99,8% da massa total.
  • Ele se formou há cerca de 4,6 bilhões de anos a partir de uma nuvem de gás e poeira que se achatou num disco.
  • Há oito planetas: quatro rochosos perto do Sol e quatro gigantes mais longe.
  • Planetas anões, como Plutão e Ceres, são redondos mas dividem a órbita com outros objetos.
  • Asteroides e cometas são sobras da formação; os cometas ganham cauda perto do Sol.
  • A heliosfera termina por volta de 100 UA, mas a Nuvem de Oort vai até 100 mil UA.

Teste o que você aprendeu

Escolha uma resposta em cada pergunta.

1. Quanto da massa do Sistema Solar está no Sol?

2. Por que Plutão deixou de ser considerado planeta em 2006?

3. Quanto tempo a luz do Sol leva para chegar à Terra?

4. Quais são os únicos planetas sem luas?

Fontes desta lição